Como funciona uma Sala Técnica (MDF, IDF, DIO, DG) – diferenças e funções
As salas técnicas são fundamentais para o funcionamento de qualquer infraestrutura de redes, seja em prédios comerciais, shopping centers, indústrias, condomínios, data centers ou ambientes corporativos. É dentro delas que ficam concentrados os equipamentos responsáveis pela distribuição, organização e gerenciamento dos sistemas de telecomunicações e fibras ópticas.
Neste artigo, você vai entender o que é uma Sala Técnica, como ela funciona, e quais são as diferenças e funções entre MDF, IDF, DIO e DG, termos muito comuns na rotina do cabista, técnico de fibra óptica e técnico de redes.
O que é uma Sala Técnica?
A Sala Técnica é um ambiente projetado para acomodar toda a infraestrutura de telecomunicações de um edifício ou projeto. Nela ficam:
- Racks
- Switches
- Patch panels
- OLTs e equipamentos ópticos
- Organizadores de cabos
- Sistemas de aterramento
- No-breaks e fontes
- Leitos e eletrocalhas
- Ponto de entrada da operadora
Ela funciona como o cérebro da rede, centralizando conexões e permitindo organização, manutenção e expansões futuras.
Por que a Sala Técnica é essencial?
- Organização da infraestrutura
- Melhor controle de ativos e conexões
- Manutenções rápidas e seguras
- Redução de falhas e interferências
- Proteção dos equipamentos
- Escalabilidade para crescimento da rede
- Padronização, especialmente em redes FTTH, GPON, EPON e corporativas
Principais elementos da Sala Técnica
A seguir, entenda os pilares mais importantes desse ambiente: MDF, IDF, DIO e DG.
1. MDF – Main Distribution Frame (Quadro de Distribuição Principal)
O MDF é a sala ou ponto principal da rede. É onde tudo começa.
Funções do MDF
- Concentra o backbone do prédio
- Recebe o link da operadora
- Distribui cabos para os IDFs
- Abriga equipamentos mais críticos:
- OLTs
- Switches centrais
- Patch panels
- Servidores (em alguns projetos)
- OLTs
Características
- Maior sala técnica do prédio
- Possui refrigeração mais controlada
- Normalmente fica no térreo ou subsolo
- Abriga o ponto de entrada de fibra (POP)
Em redes FTTH, o MDF costuma abrigar o DIO principal e o rack com OLT.
2. IDF – Intermediate Distribution Frame (Quadro de Distribuição Secundário)
O IDF é uma extensão do MDF. Ele distribui rede para áreas menores.
Funções do IDF
- Atender pavimentos específicos
- Reduzir a quantidade de cabos descendo até o MDF
- Facilitar manutenção local
- Abrigar switches de acesso
- Distribuir pontos de dados e telecom (RJ45)
Características
- Geralmente 1 por andar ou por setor.
- Contém rack menor (22U, 27U ou 32U)
- Menos equipamentos que o MDF
- Recebe backbone (fibra ou cabo metálico) do MDF
Em grandes redes FTTH (como shoppings ou prédios corporativos), o IDF pode conter splitters, patch panels e DIOs secundários.
3. DIO – Distribuidor Interno Óptico
O DIO é um dos equipamentos mais importantes para a rede óptica. Ele organiza e protege as fusões, fibras e pigtails.
Funções do DIO
- Organizar fibras ópticas
- Fazer fusões e emendas
- Interligar OLT, splitters e fibras que vão para clientes
- Permitir manutenção sem danificar fibras críticas
Características
- Pode ser 1U, 2U, 4U ou maior
- Com gaveta deslizante
- Capacidade de 12, 24, 48, 96 ou mais fibras
- Identificação padronizada para facilitar troubleshooting
O DIO está presente tanto no MDF quanto nos IDFs em estruturas FTTH corporativas.
4. DG – Distribuidor Geral (ou Demarcador)
O DG é o ponto onde a operadora entrega o serviço ao cliente.
Ele funciona como fronteira entre a rede pública e a rede interna.
Funções do DG
- Ponto de teste entre operadora e cliente
- Facilita troca de operadora sem mexer na rede interna
- Centraliza pares metálicos ou fibras de chegada
- Garante organização e registro dos circuitos instalados
Características
- Usado em telefonia, dados e fibra
- Pode ser um rack, caixa de passagem, poste interno ou DIO de demarcação
- As operadoras acessam apenas até o DG; depois disso é responsabilidade do cliente
Em FTTH corporativo, o DG costuma ser um DIO exclusivo para a operadora, separado da rede interna.
Como MDF, IDF, DIO e DG trabalham juntos?
Fluxo típico da infraestrutura:
- Operadora → DG
Entrega do sinal, seja metálico ou óptico. - DG → MDF
Entra no prédio e chega ao backbone. - MDF → IDFs (via fibras ou cabos)
Distribuição para andares ou setores. - IDFs → Usuários/Equipamentos
Switches alimentam portas RJ45 ou ONTs. - DIOs organizam e interligam tudo entre MDF e IDFs.
Essa estrutura garante uma rede robusta, escalável e fácil de manter.
Boas práticas em Salas Técnicas
- Controle de acesso (cadeado, biometria ou chave digital)
- Temperatura entre 18 °C e 25 °C
- Não permitir improvisos ou extensões soltas
- Etiquetas em 100% dos cabos, fibras e portas
- Aterramento e equipotencialização
- Eletrocalhas elevadas e organizadas
- Racks devidamente dimensionados (com sobra de U)
- Planejamento para expansões futuras
Considerações
Entender como funcionam as salas técnicas, incluindo MDF, IDF, DIO e DG, é essencial para qualquer profissional que trabalha com redes estruturadas, FTTH, GPON ou infraestrutura corporativa. Quando bem planejadas, oferecem organização, segurança e escalabilidade ao projeto, reduzindo custos de manutenção e melhorando o desempenho da rede.

