Infográfico comparativo do padrão de cores para fibra óptica no Brasil. A parte superior exibe o padrão 'Antigo da ABNT' (com a ordem: verde, amarelo, branco, azul, vermelho, violeta, marrom, rosa, preto, cinza, laranja, aqua). A parte inferior exibe o 'Atual padrão baseado na ANSI/TIA-598-D' (com a ordem: azul, laranja, verde, marrom, cinza, branco, vermelho, preto, amarelo, violeta, rosa, aqua). Ambas as sequências listam fibras numeradas de 1 a 12.

Quais são os padrões de cores para cada tipo de cabo óptico no mundo?

A identificação visual das fibras ópticas é essencial para qualquer projeto de telecomunicações, desde pequenas redes internas até grandes backbones implantados por operadoras, provedores e data centers. Para evitar erros, manter padronização e facilitar fusões e testes, existem normas internacionais que definem as cores utilizadas nas fibras e tubos ópticos.

Neste guia, você entenderá:

  • os padrões de cores usados internacionalmente
  • como identificar fibras monomodo e multimodo
  • como funcionam as cores dos tubos (loose/tight)
  • as diferenças de patch cords OM1, OM2, OM3, OM4, OM5
  • o padrão brasileiro definido pela ABNT

Vamos ao conteúdo completo.

1. Por que existem padrões de cores em cabos ópticos?

As normas foram criadas para garantir que equipes de diferentes países e empresas consigam:

  • identificar rapidamente o tipo de fibra
  • padronizar fusões e emendas
  • reduzir erros de conexão
  • facilitar manutenções
  • manter organização em instalações complexas

Os padrões mais usados no mundo são:

  • ANSI/TIA-598-D (Internacional)
  • IEC 60304 (Internacional)
  • ABNT antigo (Brasil)
  • ABNT que segue a ANSI/TIA-598-D (Brasil)

A maioria utiliza a mesma sequência internacional TIA/EIA-568 de 12 cores como base, porém existem outros padrões.

2. As 12 cores base das fibras ópticas

A seguir o padrão internacional ANSI/TIA-598-D, adotado pela maioria dos fabricantes:

Gráfico do padrão de cores ANSI/TIA-598-D para cabos de fibra óptica, mostrando a sequência padrão de 1 a 12: 1-Azul, 2-Laranja, 3-Verde, 4-Marrom, 5-Cinza, 6-Branco, 7-Vermelho, 8-Preto, 9-Amarelo, 10-Violeta, 11-Rosa e 12-Turquesa.

1-Azul 2-Laranja 3-Verde 4-Marrom 5-Cinza 6-Branco 7-Vermelho 8-Preto 9-Amarelo 10-Violeta 11-Rosa 12-Turquesa.

Quando um cabo tem mais de 12 fibras, o ciclo se repete dentro de novos tubos ou ribbons.


2.1 E as 12 cores da IEC 60304

Gráfico do padrão de cores IEC 60304 para identificação de fibra óptica, numeradas de 1 a 12: 1-Vermelho, 2-Verde, 3-Azul, 4-Amarelo, 5-Branco, 6-Cinza, 7-Marrom, 8-Violeta, 9-Turquesa, 10-Preto, 11-Laranja e 12-Rosa.

1-Vermelho 2-Verde 3-Azul 4-Amarelo 5-Branco 6-Cinza 7-Marrom 8-Violeta 9-Turquesa 10-Preto 11-Laranja 12-Rosa

3. As 12 cores dos tubos (loose/tight) — padrão internacional TIA/EIA-568

1-Azul, 2-Laranja, 3-Verde, 4-Marrom, 5-Cinza, 6-Branco, 7-Vermelho, 8-Preto, 9-Amarelo, 10-Violeta, 11-Rosa e 12-Turquesa.

Os tubos (ou unidades básicas) que organizam as fibras dentro do cabo também seguem as mesmas 12 cores:

Dentro de cada tubo, as fibras voltam a repetir o ciclo de 12 cores (da fibra 1 Azul à fibra 12 Aqua).

4. Cores dos cabos ópticos por tipo de fibra (patch cords)

A capa externa dos cabos ópticos internos (patch cords) é padronizada internacionalmente, facilitando a identificação da categoria de desempenho:

Multimodo (MM):

TipoCor externa padrãoAplicação
OM1LaranjaRedes mais antigas
OM2LaranjaMelhor que OM1
OM3Aqua10Gbps / 40Gbps
OM4Aqua ou Violeta ÉricaData Centers de alto desempenho
OM5Verde Limão (Lime Green)WDM / Data Centers de alta densidade

Monomodo (SM):

TipoCor externa padrãoAplicação
G.652DAmareloMonomodo universal
G.657A/BAmareloCurvatura aprimorada (FTTH)
OS1/OS2AmareloRedes internas e externas

5. Identificação de fibras em bandejas de fusão

A organização deve seguir:

  1. Ordem de tubos (1 a 12).
  2. Ordem das fibras dentro de cada tubo (1 a 12).

Isso permite fusões consistentes e evita trocas de fibras, garantindo que a fibra 1 do tubo 1 seja sempre a fibra Azul do Tubo Azul.

6. Padrão para cabos externos (ADSS, drop, FIG8, micromódulos)

A cor da capa externa indica o ambiente de uso, e não o tipo de fibra:

  • Preto — cabos outdoor (com proteção UV)
  • Branco ou Preto — cabos drop FTTH
  • Cinza ou Amarelo — cabos internos
  • Aqua — multimodo OM3/OM4 internos

A cor externa não define o tipo da fibra, apenas o ambiente de uso.

7. Erros comuns ao identificar fibras

  • Achar que a cor externa define o tipo de fibra.
  • Confundir tubo azul com fibra azul.
  • Misturar patch cords de cores diferentes.
  • Desrespeitar a ordem de fusão.
  • Interpretar drop branco como multimodo (não é!).

9. Padrão Brasileiro: ABNT Atual e antigo

Existem dois padrões de cabos e fibras que os técnicos podem encontrar no Brasil. O padrão atual que segue a norma internacional TIA/EIA-568 e o padrão da antiga Telebrás. Primeiramente vamos falar sobre o padrão atual e no final desse artigo sobre o antigo com foco nas fibras.

9.1 Cores das fibras

Segue integralmente o ciclo internacional (Azul a Turquesa/Aqua), exigindo que as tonalidades sejam claramente perceptíveis.

9.2 Cores dos tubos

A ABNT permite o uso do padrão internacional de 12 cores para os tubos. No entanto, em cabos de alta contagem, permite um método de identificação que é comum no Brasil:

Padrão Piloto/Direcional ABNT (Tubos):

Para cabos onde nem todos os tubos são coloridos (muitas vezes brancos ou naturais), a regra de contagem é:

  1. Tubo Verde (Piloto): É sempre o Número 1 e a referência inicial.
  2. Tubo Amarelo (Direcional): É sempre o Número 2 e indica a direção (sentido horário ou anti-horário) da contagem dos demais tubos.

Quando há mais de 12 tubos, a ABNT exige o uso de anéis, marcações ou faixas para diferenciar os ciclos.

9.3 Cores das capas externas

A ABNT recomenda, mas não obriga, as seguintes cores externas:

  • Monomodo interno: Amarelo
  • Multimodo interno: Laranja, Aqua, Violeta
  • Cabos externos: Preto (pela resistência a UV)
  • Drop FTTH: Preto ou Branco

9.4 Identificação obrigatória impressa na capa

A capa do cabo deve ser marcada continuamente com: fabricante, tipo da fibra (G.657A1, G.652D, OM3 etc.), quantidade de fibras, lote/ano de fabricação e informação de tração máxima.

9.5 Padrão de Cores dos Conectores (Polimento)

A cor do conector é essencial para identificar o tipo de polimento, especialmente em redes FTTH:

  • Azul (Polimento UPC): Monomodo padrão (baixo retorno de sinal, ponta reta).
  • Verde (Polimento APC): Monomodo para redes PON/FTTH e Vídeo (retorno de sinal ultra-baixo, ponta cortada em ângulo de 8°).
  • Bege/Aqua: Geralmente usado para Multimodo.

Regra de Ouro: Nunca misture conectores Azul com Verde. O dano físico à ponta da fibra é irreversível.

10. Exceção de Legado: O Padrão Telebrás (Verde e Amarelo para FIBRAS)

Embora o padrão internacional (Azul-Laranja-Verde…) seja o atual, você pode encontrar em campo cabos antigos que seguem o Padrão Telebrás. Esta é a exceção onde a sequência de fibras começa com Verde e Amarelo, diferindo do padrão atual.

Gráfico do antigo padrão de cores da ABNT (Brasil) para fibra óptica. A sequência de 1 a 12 é: 1-Verde, 2-Amarelo, 3-Branco, 4-Azul, 5-Vermelho, 6-Violeta, 7-Marrom, 8-Rosa, 9-Preto, 10-Cinza, 11-Laranja e 12-Turquesa.

1-Verde 2-Amarelo 3-Branco 4-Azul 5-Vermelho 6-Violeta 7-Marrom 8-Rosa 9-Preto 10-Cinza 11-Laranja 12-Turquesa.

Ao emendar um cabo neste padrão antigo com um novo (padrão Internacional), a fusão deve respeitar a numeração das posições (1 com 1, 2 com 2, etc.), e NÃO a cor. A fibra Verde (posição 1) do cabo Telebrás deve ser fundida com a fibra Azul (posição 1) do cabo novo.

11. Considerações

Os padrões de cores das fibras ópticas são praticamente uniformes no mundo inteiro, graças a normas internacionais como TIA/EIA-598 e IEC. No Brasil, a ABNT reforça esses padrões e adiciona regras claras para marcações e identificação de tubos.

Com esse guia, você está apto a:

  • identificar fibras e tubos pelo ciclo de 12 cores.
  • diferenciar monomodo e multimodo pela cor do patch cord.
  • aplicar o correto padrão ABNT para tubos (piloto/direcional).
  • evitar erros ao lidar com o cabos antigos.
  • interpretar as cores dos conectores (UPC vs. APC).

Esse é um conteúdo essencial para técnicos, cabistas e profissionais de infraestrutura óptica.

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