Clivador: o que é e por que é tão importante na fibra óptica

O clivador é uma das ferramentas mais críticas no dia a dia de quem trabalha com fibra óptica. Ele pode ser pequeno e simples à primeira vista, mas seu impacto direto na qualidade da fusão, na atenuação do enlace e até na vida útil da rede é gigantesco. Sem um bom clive (limpo, perpendicular e sem microfraturas): toda a instalação pode apresentar falhas, mesmo com equipamentos caros.

1. O que é um clivador?

O clivador é a ferramenta responsável por cortar a fibra óptica de maneira extremamente precisa, criando uma superfície plana e perfeitamente alinhada para realizar a fusão por arco elétrico ou emenda mecânica.

Ao contrário de um cortador comum, o clivador não “corta” esmagando ou serrando. Ele realiza um clive controlado, ou seja, uma quebra limpa baseada em tensão aplicada à fibra.

Objetivos do clivador:

  • Criar um ângulo de clive próximo de 90°
  • Garantir superfície lisa e sem irregularidades
  • Evitar microtrincas que aumentam perdas
  • Garantir fusões com menor atenuação

2. Como funciona o clivador?

O processo ocorre em duas etapas:

1. Riscar (incisão)

Uma pequena lâmina de diamante ou liga metálica faz um micro-risco no revestimento de vidro da fibra.

2. Fratura controlada

O equipamento aplica tensão mecânica, fazendo a fibra romper exatamente no ponto do risco, criando uma superfície plana.

Esse mecanismo é tão preciso que consegue manter variações menores que 1° no ângulo de clive em modelos profissionais.

3. Por que o clivador é tão importante?

✔ 3.1. Influencia diretamente a qualidade da fusão

Um clive ruim gera:

  • Queima irregular durante a fusão
  • Desalinhamento dos núcleos
  • Maior atenuação
  • Risco de rompimento futuro

Para operadoras e ISPs, isso significa:

  • Chamados de manutenção
  • Perda de clientes
  • Aumento de custos

✔ 3.2. Redução de perdas (dB)

A fusão depende do alinhamento perfeito entre duas superfícies.
Um clive ruim pode gerar perdas de 0,5 dB a 1 dB, enquanto um bom clive mantém perdas médias de 0,01 a 0,05 dB.

✔ 3.3. Aumento da vida útil da rede

Microfraturas invisíveis podem se ampliar ao longo dos anos, causando:

  • Rupturas
  • Atenuação gradual
  • Interrupção da transmissão

Um bom clivador evita isso desde a instalação.

4. Tipos de clivadores

▶ Clivador simples (manual)

  • Menos preciso
  • Ideal para treinamentos ou uso ocasional
  • Ângulo menos consistente

▶ Clivador profissional (automático ou semiautomático)

  • Alta precisão
  • Inclui bandejas de posicionamento
  • Lâmina com múltiplos pontos de corte
  • Usado por profissionais e ISPs

▶ Clivadores de alta precisão (FTTx e Backbones)

  • Ângulo extremamente consistente
  • Perfeitos para redes sensíveis
  • Suportam centenas de clives por dia

5. Como identificar um bom clive

Checklist rápido usado por instaladores:

  • ✔ Superfície lisa
  • ✔ Corte perpendicular
  • ✔ Sem riscos visíveis
  • ✔ Comprimento correto do buffer

Dica: sempre use o microscópio da máquina de fusão.

6. Dicas práticas para usar o clivador corretamente

• Ajuste a lâmina periodicamente

A lâmina é circular: cada ponto pode ser usado dezenas de vezes.
Rotacione conforme o fabricante recomenda.

• Mantenha o equipamento limpo

Resíduos de fibra podem desalinhar o clive.

• Nunca toque no vidro com os dedos

Óleo natural da pele prejudica a fusão.

• Use tiras de álcool isopropílico puro

Limpeza antes do clive é essencial.

7. Considerações

O clivador é uma ferramenta pequena, mas absolutamente crucial para qualquer profissional que trabalha com fibra óptica. Ele é responsável por uma das etapas mais importantes do processo de fusão: a criação de uma extremidade perfeita.

Investir em um bom clivador, manter a lâmina ajustada e seguir boas práticas de limpeza é garantia de:

  • menos perda
  • menos retrabalho
  • mais qualidade no enlace
  • rede mais durável

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