Imagem realística de uma equipe de engenheiros e técnicos em coletes de segurança, supervisionando a instalação de um backbone de fibra óptica em uma vala aberta. A cena inclui dutos laranjas de proteção, carretéis de cabo, equipamentos de construção, servidores (racks) de telecomunicações à direita, e um centro de dados/estação central ao fundo. O ambiente é rural com montanhas e céu nublado, representando as fases de planejamento e execução de um projeto de infraestrutura de rede de alta capacidade.

Como Montar uma Infraestrutura de Backbone Óptico (Do Planejamento à Execução)

A construção de um backbone óptico é uma das etapas mais críticas em qualquer projeto de rede, como em prédios corporativos, condomínios, data centers, indústrias, aeroportos ou campus universitários. É nesse “esqueleto principal” que todo o tráfego converge, por isso falhas na escolha dos cabos, conectores ou rota física podem comprometer todo o ambiente. Neste guia, você verá todo o processo, do planejamento à entrega, incluindo padrões, boas práticas e pontos de atenção que todo cabista ou projetista precisa dominar.

1. Planejamento da Infraestrutura Óptica

1.1 Levantamento Técnico (Site Survey)

Antes de qualquer coisa, é necessário mapear:

  • Distâncias reais entre os pontos (MDF, IDFs ou salas técnicas).
  • Possíveis rotas de eletrocalhas, shafts, dutos, subterrâneos ou aéreas.
  • Interferências estruturais (paredes, lajes, áreas restritas).
  • Capacidade dos shafts e dutos existentes.
  • Ambientes com risco elétrico, vibração ou alta temperatura.

1.2 Definição da Arquitetura

Os backbones devem seguir os padrões de Cabeamento Estruturado TIA-568, podendo seguir:

  • Topologia estrela hierárquica (mais comum – MDF → IDFs).
  • Anel redundante (corporativos, indústrias, aeroportos).
  • Dual-homed (IDF conectado a dois MDFs, garantindo continuidade).
  • Malha parcial (ambientes críticos).
  • Data Centers: Em Data Centers, o padrão TIA-942 deve ser seguido, usando topologias Spine-Leaf (interconexão de switches) para alta performance.

1.3 Cálculo de Demanda Presente e Futura

É o ponto mais ignorado em projetos ruins. Perguntas essenciais:

  • Quantos switches core e distribuição existirão?
  • Qual a previsão de crescimento em 3 a 10 anos?
  • Será necessário 10G, 40G ou 100G?
  • Quantas fibras por enlace? (sempre considerar reserva)

Regra prática:

“Se você acha que precisa de 12 fibras, coloque 24.”

1.4 Orçamento de Potência Óptica (Fase Essencial de Projeto)

É o cálculo da perda máxima aceitável para que o enlace funcione com a tecnologia escolhida (10G, 40G, etc.).

O projetista deve calcular a perda total estimada do enlace.

2. Escolha dos Cabos Ópticos

2.1 Tipo de Fibra e Ambiente

AmbienteTipoObservação
Edifícios CorporativosMonomodo (OS2)Suporta longas distâncias e altíssimas velocidades.
Data CentersMultimodo (OM4/OM5)Ideal para 10/40/100G internos (curtas distâncias).
Indústrias/Amb. HostisOS2 Blindado (Armado)Contra esmagamento, vibração e interferência.
Ambientes ExternosLoose tube dielétrico ou armadoResistência UV, umidade e tração.

Hoje, OS2 é padrão universal para distâncias relevantes, e OM4/OM5 ficam cada vez mais específicas para Data Centers.

2.2 Contagem de Fibras

  • Mínimo recomendado por enlace: 12 fibras.
  • Grandes ambientes: 24, 48 ou 96 fibras.
  • Indústrias e aeroportos: até 144 ou 288 fibras.

2.3 Segurança (LSZH) e Normas

Em ambientes internos (prédios, data centers), os cabos devem ser LSZH (Low Smoke Zero Halogen) para garantir que, em caso de incêndio, não haja liberação de fumaça densa e gases tóxicos, conforme normas de segurança contra incêndio.

3. Infraestrutura Física (Dutos, Shafts e Caminhos)

3.1 Boas Práticas e Proteção

  • Caminhos independentes de elétrica (TIA-569 / NBR 14565).
  • Evitar curvas muito fechadas (risco de macrocurvatura). O raio de curvatura mínimo deve ser respeitado 
  • Dimensionar dutos com 40% de ocupação máxima.
  • Usar eletrocalhas perfuradas em rotas principais para melhor refrigeração.
  • Proteção Contra Roedores: Em rotas subterrâneas, utilizar cabos armados ou dutos metálicos rígidos.
  • Aterramento: Cabos que contêm elementos metálicos (armadura, fita) devem ter esses elementos devidamente aterrados nas duas extremidades para proteção contra surtos elétricos (raios e indução).

3.2 Identificação e Documentação

  • Etiquetas UV duplas: início e fim.
  • Painéis DIO devidamente numerados.
  • Rotas documentadas no as-built final.

4. Instalação e Conectorização do Backbone Óptico

4.1 Cuidados Essenciais

  • Tração máxima do cabo: Respeitar a ficha técnica.
  • Não puxar pelo tubo loose → sempre usar trança de kevlar.
  • Cabo nunca deve ficar solto em dutos verticais (usar ancoragem).
  • Evitar esmagamento ao fechar eletrocalhas.

4.2 Abertura, Fusão e Polaridade

  • Trabalhar com um clivador de precisão.
  • Limpeza impecável dos ferrolhos (álcool isopropílico + lenço sem fiapos).
  • Fusão: Padrão profissional é a Máquina de Fusão com Alinhamento pelo Núcleo (Core Alignment), que garante a menor perda.

4.3 Conectorização e Alta Densidade

A terminação define a velocidade da rede:

  • Fusão em Pigtails: (Padrão profissional, melhor desempenho).
  • Conectores de Alta Densidade (MPO/MTP): Essencial para Data Centers e migração para 40G/100G. Reduz o espaço e facilita a instalação.
  • Polaridade: A organização da conexão (ex: Transmissor 1 da ponta A deve chegar ao Receptor 1 da ponta B) deve seguir rigorosamente os métodos de polaridade definidos pela TIA-568.C/D.

5. Terminação em DIOs e Organização

O backbone deve terminar sempre em:

  • DIO (Distribuidor Interno Óptico) em MDF e IDFs.
  • Bandejas com protetores de fusão.
  • Cordões ópticos certificados.

Organização Recomendada:

  • Pigtails separados por cores (TIA-598).
  • Raio de curvatura mínimo sempre respeitado.
  • Patch cords nunca criando tensão no conector.
  • Conectores APC (Ângulo Polido) são recomendados para Monomodo e redes críticas por minimizarem a reflexão.

6.  Certificação e Testes

A etapa final determina a qualidade e a conformidade do projeto com o Orçamento Óptico (item 1.4).

6.1 Equipamentos

  • OTDR – analisa toda a rota, fusões e perdas por evento (padrão de aceitação).
  • Power Meter/Light Source – mede perda ponto a ponto (método 1 e 2).
  • Certificadores (Fluke DSX + OTDR) – padrão corporativo.

6.2 O que Deve Ser Testado

  • Perda total do enlace.
  • Eventos (emendas, conectores).
  • Reflectância (ORL/RL): A Perda de Retorno Óptico é crucial para redes de alta velocidade (10G+) e deve ser documentada para garantir a qualidade do polimento dos conectores.
  • Distância real do link.

Selo de Qualidade:

Um backbone só é “entregue” quando possui relatório PDF completo, diagramas e mapa óptico, comprovando que está dentro do Orçamento Óptico planejado.

7.  Entrega e Documentação Final

Inclui:

  • As-built completo (rotas, dutos, caminhos, medidas).
  • Mapa de Fibras (fibra 01 → MDF A / IDF 01).
  • Certificados de Teste e OTDR.
  • Fotos da instalação.
  • Inventário de materiais utilizados.

Considerações:

Montar um backbone óptico é um processo que exige conhecimento técnico, planejamento e execução cuidadosa. Cada etapa, incluindo a escolha da fibra, rota física, fusão e certificação, afeta diretamente o desempenho e a confiabilidade da rede. Seguindo essas práticas e respeitando o Orçamento Óptico e as normas TIA/NBR, você garante uma infraestrutura preparada para $10$, $40$, $100\text{G}$ e evoluções futuras sem necessidade de retrabalho.

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