Bobina de lançamento conectada a um OTDR em um data center

Bobina de Lançamento OTDR: o que é, como usar e qual comprimento escolher

A bobina de lançamento é um trecho de fibra óptica conectado entre o OTDR e o enlace que será testado. Ela permite caracterizar corretamente o primeiro conector e outros eventos próximos ao início da fibra, reduzindo o efeito da zona morta do equipamento.

Também conhecida como launch cable, launch fiber, pulse suppressor ou fibra de lançamento, ela é utilizada em testes de fibra óptica realizados com OTDR.

Neste guia, você vai entender o que é a bobina de lançamento, por que ela é utilizada, como escolher seu comprimento, a diferença entre launch cable e tail cable e como utilizá-la corretamente em campo.

O que é uma bobina de lançamento?

A bobina de lançamento é um trecho de fibra óptica instalado entre a porta do OTDR e a fibra óptica que será testada.

A montagem básica é:

OTDR → Bobina de lançamento → Enlace de fibra óptica

Sua principal função é afastar o primeiro conector do ponto de conexão do OTDR. Dessa forma, o equipamento consegue analisar melhor o primeiro evento do enlace, que poderia ficar oculto ou ter sua medição prejudicada pela zona morta.

A bobina deve ser compatível com a fibra que está sendo testada. Em especial, é importante considerar o tipo de fibra, a geometria do núcleo e o tipo de conector utilizado.

Em fibras multimodo, por exemplo, a compatibilidade entre a fibra da bobina e a fibra do enlace é especialmente importante, pois existem diferentes dimensões de núcleo, como 50/125 µm e 62,5/125 µm.

Por que usar uma bobina de lançamento no OTDR?

O OTDR envia um pulso de luz pela fibra e analisa a luz que retorna ao equipamento. Com isso, consegue identificar eventos como conectores, emendas, curvaturas e o final do enlace.

O problema é que, logo após o envio do pulso, o receptor do OTDR precisa de um determinado tempo para se recuperar. Durante esse período, alguns eventos próximos ao equipamento podem não ser caracterizados corretamente.

É nesse ponto que a bobina de lançamento se torna importante.

Ao colocar uma determinada quantidade de fibra entre o OTDR e o primeiro conector do enlace, esse conector deixa de estar imediatamente na região de maior influência da zona morta.

Assim, o técnico consegue analisar melhor a perda e a reflexão do primeiro conector e identificar eventos próximos ao início da fibra.

O que é a zona morta do OTDR?

A zona morta é uma limitação do OTDR que ocorre após o lançamento do pulso de teste.

Durante esse período, o equipamento pode ter dificuldade para distinguir eventos muito próximos entre si.

A largura do pulso utilizado no teste influencia diretamente esse comportamento.

Pulsos mais curtos normalmente proporcionam maior resolução para identificar eventos próximos, enquanto pulsos mais longos permitem alcançar maiores distâncias, mas podem aumentar a zona morta.

Por isso, a configuração do pulso precisa considerar o comprimento e as características do enlace que está sendo testado.

A bobina de lançamento não elimina a zona morta do OTDR. Ela coloca o início real do enlace em uma posição mais adequada para que os eventos próximos sejam analisados corretamente.

O que a bobina de lançamento permite medir?

Quando utilizada corretamente, a bobina de lançamento ajuda o OTDR a caracterizar:

  • Perda do primeiro conector;
  • Reflexão do primeiro conector;
  • Eventos próximos ao início da fibra;
  • Perdas em emendas;
  • Atenuação do enlace;
  • Distância até os eventos;
  • Comportamento geral da fibra ao longo do enlace.

Em procedimentos de certificação ou aceitação, a utilização da bobina de lançamento pode ser importante para que o primeiro conector seja incluído corretamente na avaliação do enlace.

Como funciona a bobina de lançamento?

Uma configuração típica pode ser representada da seguinte forma:

OTDR → Bobina de lançamento → Primeiro conector → Fibra em teste → Último conector

Sem a bobina, o primeiro conector pode ficar muito próximo da porta do OTDR e sofrer influência da zona morta.

Com a bobina, o primeiro conector fica afastado do equipamento, permitindo que o OTDR tenha uma referência de fibra antes de chegar ao início real do enlace.

Além disso, a bobina pode ajudar a reduzir o desgaste do conector da porta óptica do OTDR, evitando que ele seja conectado e desconectado diretamente ao enlace em todos os testes.

Qual comprimento de bobina de lançamento usar?

Não existe um comprimento único que seja correto para todos os testes.

O tamanho adequado depende principalmente de fatores como:

  • Largura do pulso utilizado;
  • Tipo e comprimento do enlace;
  • Modelo do OTDR;
  • Zona morta do equipamento;
  • Tipo de fibra;
  • Objetivo do teste;
  • Procedimento ou norma adotada.

De forma geral, quanto maior a largura do pulso, maior tende a ser a zona morta. Por isso, pode ser necessário utilizar uma bobina mais longa.

Como referência, alguns fabricantes apresentam faixas aproximadas como:

Largura do pulsoComprimento de referência
3, 10 ou 30 ns10 a 20 m
100 ou 300 ns100 a 200 m
3 µs a 100 µs1 a 2 km

Esses valores devem ser tratados como referências e não como uma regra universal.

O comprimento correto deve ser definido de acordo com o OTDR utilizado, as configurações do teste e as características do enlace.

Quanto maior o pulso, maior deve ser a bobina?

Em geral, sim.

Pulsos mais curtos oferecem maior resolução e tendem a produzir uma zona morta menor. Pulsos mais longos conseguem alcançar enlaces maiores, mas aumentam a região em que eventos próximos podem ficar difíceis de distinguir.

Por isso, ao utilizar um pulso maior, pode ser necessário aumentar o comprimento da bobina de lançamento.

O objetivo é garantir que o primeiro evento importante do enlace fique fora da região em que o OTDR apresenta maior dificuldade de caracterização.

A bobina precisa ser do mesmo tipo de fibra?

O ideal é utilizar uma bobina compatível com a fibra que está sendo testada.

Para fibra monomodo, normalmente utiliza-se uma bobina de fibra monomodo.

Para fibra multimodo, é importante observar também a dimensão do núcleo. Fibras de 50/125 µm e 62,5/125 µm não devem ser tratadas simplesmente como se fossem iguais.

Também é necessário verificar a compatibilidade dos conectores e adaptadores utilizados.

Uma configuração inadequada pode introduzir perdas ou reflexões que não pertencem ao enlace que está sendo analisado.

Launch Cable x Tail Cable: qual é a diferença?

Embora tenham funções semelhantes, a posição e o objetivo de cada uma são diferentes.

CaracterísticaLaunch CableTail Cable / Receive Cable
PosiçãoEntre o OTDR e o enlaceNo final do enlace
Objetivo principalPermitir a caracterização do primeiro conectorPermitir a caracterização do último conector
UsoAvaliação do início do enlaceAvaliação do final do enlace
ConexãoOTDR → Launch → EnlaceEnlace → Tail

Quando são utilizadas uma bobina de lançamento e uma bobina de recepção, o técnico consegue avaliar melhor as duas extremidades do enlace.

Quando usar uma bobina de recepção?

A bobina de recepção, também chamada de tail cable ou receive cable, é instalada no final do enlace.

A montagem fica aproximadamente assim:

OTDR → Launch → Enlace → Tail

Sua função é afastar o último conector da extremidade do enlace, permitindo que ele também seja caracterizado pelo OTDR.

A utilização da bobina de recepção é especialmente útil quando o objetivo é avaliar o enlace completo, incluindo os conectores das duas extremidades.

Em testes de certificação e aceitação, sua utilização deve seguir o procedimento adotado para aquele tipo de instalação.

Quando utilizar a bobina de lançamento?

A bobina de lançamento pode ser utilizada em diferentes situações, incluindo:

  • Testes de enlaces de fibra óptica;
  • Certificação de cabeamento;
  • Testes de aceitação;
  • Manutenção de redes;
  • Localização de falhas;
  • Enlaces de longa distância;
  • Redes FTTH;
  • Redes PON;
  • Data centers;
  • Backbones de redes.

Em redes PON e FTTH, é importante considerar a presença de divisores ópticos, conectores e outros eventos que podem aumentar a complexidade da medição.

Nesse caso, a configuração do OTDR e o comprimento da bobina devem ser escolhidos de acordo com o enlace e com o procedimento de teste.

Como usar a bobina de lançamento no OTDR?

O procedimento pode variar de acordo com o equipamento, mas uma sequência básica é:

1. Inspecione a fibra e os conectores

Antes de realizar o teste, verifique se a bobina, os conectores e os adaptadores estão em boas condições.

2. Faça a limpeza dos conectores

A sujeira nos conectores ópticos pode provocar perda, reflexão e resultados incorretos.

A limpeza deve ser realizada antes das conexões.

3. Conecte a bobina ao OTDR

Conecte uma extremidade da bobina de lançamento à porta óptica do equipamento.

4. Conecte a bobina ao enlace

A outra extremidade da bobina deve ser conectada à fibra que será testada.

5. Configure o OTDR

Configure parâmetros como:

  • Tipo de fibra;
  • Comprimento de onda;
  • Largura do pulso;
  • Faixa de distância;
  • Tempo de aquisição;
  • Índice de refração, quando aplicável.

A configuração deve ser compatível com o enlace e com o procedimento de medição.

6. Utilize uma bobina de recepção quando necessário

Se for necessário caracterizar também o último conector, conecte uma bobina de recepção na extremidade oposta do enlace.

7. Realize a medição

Execute o teste e analise os eventos apresentados pelo OTDR.

Observe principalmente:

  • Distância dos eventos;
  • Perdas;
  • Reflexões;
  • Atenuação;
  • Final da fibra.

Como escolher uma bobina de lançamento?

Na hora de comprar ou montar uma bobina de lançamento, não considere apenas o comprimento.

Avalie também:

Tipo de fibra

Escolha uma fibra compatível com o enlace:

  • Monomodo;
  • Multimodo 50/125 µm;
  • Multimodo 62,5/125 µm.

Comprimento

O comprimento deve ser adequado ao OTDR, à largura do pulso e ao enlace que será testado.

Uma bobina muito curta pode não afastar suficientemente o primeiro evento da zona morta.

Uma bobina excessivamente longa também pode ser desnecessária para determinados testes.

Tipo de conector

Verifique os conectores utilizados pelo OTDR e pelo enlace.

Também é importante observar a diferença entre conectores com polimento UPC e APC.

Não se deve conectar componentes incompatíveis apenas porque possuem o mesmo formato físico.

Qualidade da bobina

A fibra deve estar em boas condições, sem danos, esmagamentos ou curvaturas excessivas.

Uma bobina danificada pode introduzir perdas e reflexões que prejudicam a medição.

Erros comuns ao utilizar uma bobina de lançamento

Alguns problemas podem comprometer o resultado do teste.

Utilizar uma bobina muito curta

Se a bobina não for suficientemente longa para a configuração utilizada, o primeiro conector pode continuar sofrendo influência da zona morta.

Utilizar uma bobina muito longa sem necessidade

Uma bobina maior não significa automaticamente uma medição melhor.

O comprimento deve ser compatível com o objetivo do teste e com as configurações do OTDR.

Não limpar os conectores

Sujeira e contaminação podem provocar perdas e reflexões e até danificar superfícies ópticas.

Utilizar fibra incompatível

Misturar fibras monomodo e multimodo ou utilizar fibras multimodo com diferentes dimensões de núcleo pode comprometer o resultado.

Ignorar APC e UPC

Conectores APC e UPC possuem características diferentes de polimento e reflexão. A compatibilidade deve ser verificada antes da conexão.

Utilizar adaptadores inadequados

Adaptadores danificados ou incompatíveis podem gerar eventos e perdas adicionais na medição.

Configurar o OTDR incorretamente

Uma configuração inadequada de pulso, faixa de distância ou índice de refração pode produzir resultados difíceis de interpretar.

Confundir launch cable com tail cable

A bobina de lançamento fica no início do enlace, enquanto a bobina de recepção fica no final.

Interpretar uma reflexão como defeito sem verificar a montagem

Uma reflexão pode estar relacionada a um conector, adaptador ou outro evento da própria montagem de teste.

Por isso, é importante analisar o traço completo antes de concluir que existe um problema no enlace.

Boas práticas para testes com OTDR

Para obter resultados mais confiáveis:

  • Limpe os conectores antes das medições;
  • Inspecione as interfaces ópticas;
  • Utilize bobinas compatíveis com a fibra em teste;
  • Escolha o comprimento de acordo com o pulso e o objetivo do teste;
  • Evite curvaturas excessivas na bobina;
  • Proteja a bobina durante o transporte e armazenamento;
  • Utilize launch e receive quando o procedimento exigir a caracterização das duas extremidades;
  • Configure corretamente o OTDR;
  • Realize mais de uma aquisição quando necessário;
  • Registre as condições e configurações utilizadas no teste;
  • Siga o procedimento técnico ou padrão aplicável ao serviço.

Perguntas frequentes

Para que serve a bobina de lançamento no OTDR?

A bobina de lançamento serve para afastar o primeiro conector do OTDR, permitindo que o equipamento caracterize melhor esse conector e outros eventos próximos ao início do enlace.

Qual é o tamanho ideal de uma bobina de lançamento?

Não existe um tamanho ideal universal. O comprimento depende principalmente da largura do pulso, do OTDR, do tipo e comprimento do enlace e do procedimento utilizado.

Launch cable e tail cable são a mesma coisa?

Não. O launch cable fica entre o OTDR e o início do enlace. O tail cable ou receive cable fica na extremidade oposta e ajuda a caracterizar o último conector.

A bobina de lançamento precisa ser do mesmo tipo de fibra?

O ideal é que seja compatível com a fibra em teste. Em fibras multimodo, também é importante considerar a dimensão do núcleo.

Uma bobina de 100 metros serve para qualquer OTDR?

Não. O comprimento da bobina deve ser escolhido de acordo com a configuração do OTDR e as características do enlace. Uma bobina de 100 metros pode ser adequada para algumas situações e insuficiente para outras.

A bobina de lançamento elimina a zona morta?

Não. Ela não elimina a zona morta do OTDR. Sua função é afastar o início real do enlace dessa região, permitindo uma melhor caracterização dos primeiros eventos.

É necessário usar uma bobina de recepção?

Depende do objetivo do teste. Quando é necessário caracterizar também o último conector do enlace, a utilização de uma bobina de recepção pode ser importante.

Posso usar qualquer fibra como bobina de lançamento?

Não é recomendado. A fibra utilizada deve ser compatível com o enlace e com o OTDR, considerando tipo de fibra, geometria, conectores e demais características relevantes.

Considerações

A bobina de lançamento é uma ferramenta importante para testes de fibra óptica realizados com OTDR. Sua principal função é afastar o primeiro conector do equipamento, permitindo uma caracterização mais adequada dos eventos próximos ao início do enlace.

O comprimento da bobina não deve ser escolhido por uma regra fixa. Ele depende principalmente da largura do pulso, das características do OTDR, do enlace, do tipo de fibra e do procedimento de teste.

Em aplicações que exigem a avaliação das duas extremidades, a utilização conjunta de uma bobina de lançamento e uma bobina de recepção permite analisar melhor os primeiros e os últimos conectores do enlace.

Além do comprimento correto, a limpeza dos conectores, a compatibilidade da fibra, os tipos de conectores e a configuração adequada do OTDR são fundamentais para obter medições confiáveis.

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