Comparação entre splitters ópticos FBT e PLC utilizados em redes de fibra óptica, com características, aplicações e vantagens de cada tecnologia.

Splitter PLC x FBT: Qual a Diferença e Como Escolher?

Os splitters ópticos são componentes fundamentais em redes de fibra óptica, principalmente em arquiteturas FTTH (Fiber to the Home) e PON (Passive Optical Network). Eles permitem dividir um sinal óptico em várias saídas, atendendo diferentes usuários a partir de uma única entrada de fibra.

Entre os modelos disponíveis, dois tipos se destacam: o splitter PLC (Planar Lightwave Circuit) e o splitter FBT (Fused Biconical Taper). Embora tenham a mesma finalidade geral, eles utilizam tecnologias de fabricação diferentes e apresentam características específicas que influenciam sua aplicação em projetos de telecomunicações.

Neste guia, você vai entender como cada tecnologia funciona, quais são suas diferenças, como avaliar as perdas ópticas e quando escolher cada modelo.

O que é um splitter óptico?

O splitter óptico, também chamado de divisor óptico, é um componente passivo que distribui a potência de um sinal luminoso entre duas ou mais saídas. Como não precisa de alimentação elétrica para realizar essa divisão, ele pode ser instalado em diferentes pontos da infraestrutura óptica.

Esse componente é amplamente utilizado em redes FTTH, nas quais uma fibra alimentadora pode atender diversos assinantes por meio de uma estrutura de distribuição compartilhada.

Para entender como o divisor se integra aos demais equipamentos da rede, confira também nosso guia sobre OLT, ONT e splitter óptico.

A escolha do splitter depende de fatores como:

  • Quantidade de saídas necessárias.
  • Perda de inserção do componente.
  • Uniformidade da potência entre as saídas.
  • Comprimentos de onda utilizados.
  • Orçamento óptico disponível.
  • Ambiente de instalação e custo total do projeto.

Os modelos PLC e FBT atendem a diferentes necessidades, por isso a escolha deve considerar as especificações técnicas e as exigências da rede.

O que é um splitter FBT?

FBT é a sigla de Fused Biconical Taper, tecnologia de fabricação na qual fibras ópticas são fundidas e estiradas para permitir o acoplamento e a divisão da luz.

Esse processo possibilita fabricar divisores com diferentes relações de divisão. Dependendo do projeto, o FBT pode oferecer divisões simétricas, nas quais a potência é distribuída de maneira aproximadamente igual, ou assimétricas, nas quais uma saída recebe uma parcela maior do sinal.

Principais características do splitter FBT

  • Tecnologia baseada na fusão e no estiramento de fibras ópticas.
  • Disponibilidade de diferentes relações de divisão.
  • Possibilidade de divisões simétricas e assimétricas, conforme o modelo.
  • Aplicação em projetos específicos de distribuição e derivação óptica.
  • Custo potencialmente competitivo em determinadas configurações.

Quando utilizar um splitter FBT?

O FBT pode ser uma boa escolha quando o projeto exige poucas saídas ou uma relação de divisão específica, como em determinadas aplicações de derivação e monitoramento óptico.

Entretanto, o desempenho depende das características do componente. Antes da instalação, verifique a faixa de comprimento de onda, a perda de inserção, a perda dependente da uniformidade entre saídas e as demais especificações fornecidas pelo fabricante.

Não é correto afirmar que todo splitter FBT é inadequado para redes FTTH modernas. Sua utilização deve ser avaliada de acordo com os requisitos da aplicação.

O que é um splitter PLC?

PLC significa Planar Lightwave Circuit. Essa tecnologia utiliza um circuito óptico integrado fabricado em uma plataforma planar para distribuir a luz entre várias saídas.

Os splitters PLC são amplamente utilizados em redes PON porque permitem implementar divisões com múltiplas saídas e boa uniformidade de distribuição, conforme as especificações do modelo.

Principais características do splitter PLC

  • Fabricação baseada em circuitos ópticos planares.
  • Disponibilidade de configurações com diversas saídas.
  • Boa uniformidade de divisão em modelos adequadamente especificados.
  • Aplicação frequente em redes FTTH e PON.
  • Possibilidade de utilização em diferentes arquiteturas de distribuição óptica.

Quando utilizar um splitter PLC?

O PLC costuma ser uma opção adequada quando o projeto exige várias saídas e uma distribuição relativamente uniforme da potência óptica.

É comum encontrar configurações como 1:4, 1:8, 1:16, 1:32 e 1:64. A escolha, porém, não deve considerar apenas a quantidade de portas: é necessário verificar as perdas, o orçamento óptico e a compatibilidade com o restante da infraestrutura.

Para compreender as tecnologias de acesso que utilizam essa arquitetura, leia também o artigo sobre as diferenças entre GPON, EPON e XGS-PON.

Splitter PLC x FBT: quais são as diferenças?

Embora ambos sejam divisores ópticos passivos, PLC e FBT apresentam diferenças no processo de fabricação, nas configurações disponíveis e nas aplicações mais comuns.

CaracterísticaSplitter FBTSplitter PLC
TecnologiaFusão e estiramento de fibrasCircuito óptico planar
Relações de divisãoSimétricas ou assimétricas, conforme o modeloFrequentemente utilizado em divisões simétricas
Quantidade de saídasDisponível em diferentes configuraçõesDisponível em diversas configurações, inclusive com muitas saídas
Uniformidade entre portasDepende do modelo e da especificaçãoGeralmente adequada para distribuição uniforme em projetos PON
AplicaçõesDerivação, monitoramento e distribuições específicasRedes FTTH, PON e distribuição com múltiplos usuários
CustoPode ser competitivo em aplicações específicasDepende da configuração, da qualidade e do fornecedor
Critério de escolhaRelação de divisão e requisitos da aplicaçãoQuantidade de saídas, uniformidade e orçamento óptico

Importante: essas características são tendências gerais, não regras absolutas. As especificações do fabricante devem prevalecer na comparação entre dois produtos concretos.

Relações de divisão: 1:2, 1:4, 1:8, 1:16, 1:32 e 1:64

A relação de divisão indica quantas saídas são alimentadas a partir de uma entrada. Por exemplo, um splitter 1:8 possui uma entrada e oito saídas.

Quanto maior a quantidade de saídas, menor tende a ser a potência óptica disponível em cada saída, considerando a divisão do sinal e as perdas do componente.

Em uma divisão ideal e uniforme, a perda teórica causada exclusivamente pela divisão pode ser estimada pela fórmula:

Perda teórica = 10 × log₁₀(N)

Nessa fórmula, N representa a quantidade de saídas.

Relação de divisãoPerda teórica aproximada
1:23,0 dB
1:46,0 dB
1:89,0 dB
1:1612,0 dB
1:3215,1 dB
1:6418,1 dB

Esses números representam a perda teórica da divisão ideal. Na prática, a perda de inserção pode ser maior devido às características do componente e às condições reais do sistema.

Também é necessário considerar a atenuação das fibras, as emendas, os conectores e outros elementos presentes no enlace.

Como calcular o orçamento óptico de uma rede com splitter?

O orçamento óptico representa a margem de potência disponível para que o sinal chegue ao receptor dentro dos limites de funcionamento especificados.

Para avaliar um enlace, considere:

  • Potência óptica de transmissão.
  • Sensibilidade e limites de recepção do equipamento.
  • Perda de inserção do splitter.
  • Atenuação da fibra óptica.
  • Perdas em conectores e emendas.
  • Margem de engenharia prevista no projeto.

A perda total estimada deve ser comparada com o orçamento óptico disponível para verificar se o enlace atende aos requisitos dos equipamentos utilizados.

Para facilitar essa etapa, consulte a Calculadora de Link Budget, que pode ajudar no planejamento das perdas e da margem óptica de um enlace.

Não escolha um splitter apenas pela quantidade de saídas ou pelo preço. Um componente incompatível com o orçamento óptico pode comprometer a comunicação e provocar falhas de conexão.

Como medir as perdas ópticas do splitter?

Após a instalação, é importante verificar se a rede apresenta níveis de potência compatíveis com as especificações do projeto.

O Power Meter é utilizado para medir a potência óptica recebida em um ponto do enlace. Com referências de medição adequadas, os resultados ajudam a avaliar as perdas e a verificar se o sinal está dentro dos limites esperados.

Conheça mais sobre o Power Meter: como funciona e para que serve.

O OTDR, por sua vez, permite analisar eventos ao longo da fibra, como emendas, conectores e pontos de reflexão ou atenuação. Ele pode auxiliar na investigação de problemas no enlace, mas a interpretação de um splitter exige atenção à topologia e às características do equipamento.

Veja também o guia sobre OTDR: como funciona.

Em determinadas medições com OTDR, uma bobina de lançamento pode ajudar a avaliar a primeira conexão e reduzir as limitações da zona morta próxima ao instrumento.

A escolha do método de teste depende do objetivo: medir a potência em um ponto, comparar perdas de inserção ou localizar eventos ao longo da fibra são tarefas diferentes.

Como escolher entre PLC e FBT?

A seleção deve começar pelos requisitos técnicos da rede, e não pela ideia de que uma tecnologia é sempre superior à outra.

1. Defina a quantidade de saídas

Determine quantos usuários ou ramificações precisam ser atendidos. Projetos com muitas saídas e divisão uniforme frequentemente utilizam PLC, mas a configuração final deve atender ao dimensionamento da rede.

2. Verifique a relação de divisão

Se o projeto exige uma divisão assimétrica, avalie se o modelo escolhido oferece a relação necessária. Alguns modelos FBT podem ser apropriados para esse cenário.

3. Compare as perdas ópticas

Consulte a perda de inserção especificada pelo fabricante. Não utilize apenas o valor teórico calculado pela quantidade de saídas, pois ele não representa necessariamente a perda real do componente.

4. Confira os comprimentos de onda

Verifique se o splitter atende aos comprimentos de onda utilizados na rede. Essa compatibilidade é especialmente importante em arquiteturas que utilizam diferentes comprimentos de onda para transmissão e recepção.

5. Avalie a uniformidade entre as saídas

Em uma rede que atende vários assinantes, diferenças na potência distribuída podem afetar a margem óptica de cada ramificação. Compare a uniformidade indicada nas fichas técnicas.

6. Considere o ambiente de instalação

Avalie o espaço disponível, o tipo de caixa ou bandeja, a proteção contra condições ambientais e a forma de acomodação das fibras.

7. Compare o custo total

Considere não apenas o preço de aquisição, mas também a compatibilidade, a instalação, a manutenção e os requisitos de desempenho do projeto.

O splitter óptico funciona sem energia elétrica?

Sim. O splitter óptico convencional é um componente passivo e não precisa de alimentação elétrica para dividir o sinal luminoso.

Entretanto, a rede como um todo depende de equipamentos ativos, como a OLT na central e a ONT ou ONU no lado do assinante, para transmitir, receber e processar os sinais de comunicação.

Perguntas frequentes sobre splitters PLC e FBT

O splitter PLC é sempre melhor que o FBT?

Não. O PLC costuma ser adequado para distribuições uniformes com múltiplas saídas, enquanto determinados modelos FBT podem atender melhor a aplicações específicas. A escolha depende das especificações e dos requisitos do projeto.

Todo splitter PLC pode ser utilizado em uma rede FTTH?

Não necessariamente. É preciso verificar a relação de divisão, os comprimentos de onda, as perdas, o tipo de encapsulamento e a compatibilidade com o orçamento óptico da rede.

Um splitter 1:32 sempre apresenta perda de 15,1 dB?

Não. Esse valor é uma estimativa teórica para uma divisão ideal e uniforme. A perda de inserção real deve ser consultada na ficha técnica do componente.

Posso substituir um splitter FBT por um PLC?

A substituição exige verificar a relação de divisão, a quantidade de saídas, os conectores, os comprimentos de onda, as perdas e a compatibilidade com a arquitetura da rede. Não se deve realizar a troca considerando apenas o formato físico.

O splitter precisa de manutenção?

O componente não possui partes eletrônicas ativas, mas sua instalação e suas conexões devem ser inspecionadas quando houver falhas ou durante procedimentos previstos de manutenção. Conectores contaminados, fibras danificadas e problemas de acomodação podem comprometer o enlace.

Considerações

A escolha entre splitter PLC e FBT depende da aplicação, da quantidade de saídas, da relação de divisão e do orçamento óptico disponível.

O PLC é frequentemente utilizado em redes FTTH e PON que precisam distribuir o sinal para múltiplos usuários com boa uniformidade. O FBT pode ser uma alternativa interessante para configurações específicas, incluindo determinadas relações de divisão assimétricas.

Independentemente da tecnologia, consulte as fichas técnicas, dimensione as perdas e verifique o desempenho do enlace após a instalação. Dessa forma, é possível selecionar um divisor óptico compatível com a infraestrutura e reduzir o risco de problemas de conectividade.

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