Documentação Física e Etiquetagem: Como o As-Built e a TIA-606-B Garantem Infraestruturas Inteligentes

Técnico com camisa azul e óculos de segurança etiquetando cabos em um rack de servidores de data center. Um diagrama de documentação As-Built e um tablet estão visíveis em um carrinho lateral, indicando o progresso da etiquetagem e mapeamento do sistema.

Documentação Física e Etiquetagem: Como o As-Built e a TIA-606-B Garantem Infraestruturas Inteligentes

Em qualquer projeto de infraestrutura de redes, seja FTTH, corporativo, data center ou industrial, existe um fator que separa ambientes profissionais de ambientes improvisados: documentação física bem-feita e um sistema de identificação padronizado. O famoso As-Built e a aplicação correta da TIA-606-B são a base para que qualquer técnico, auditor ou empresa consiga entender a rede muitos anos depois da instalação.

Sem documentação:

  • Manutenções demoram mais
  • Erros aumentam
  • Trocas de equipe viram um pesadelo
  • O custo operacional dispara

Com documentação e identificação:

  • Agilidade
  • Previsibilidade
  • Segurança
  • Padronização

1. O que é Documentação Física (As-Built)

O As-Built é literalmente o “como foi construído”.
É a documentação final, atualizada depois da execução, que mostra com precisão como a rede está instalada na prática e não como estava previsto no projeto inicial.

Um As-Built completo inclui:

  • Planta baixa com rotas dos cabos
  • Tipos de cabos (UTP, drop, CTO, backbone, fibra loose, etc.)
  • Quantidade de fibras/pairs utilizados
  • Pontos de terminação (MDF, IDF, DIO, DG, caixas)
  • Comprimentos aproximados
  • Fotos técnicas
  • Numeração de portas e identificações
  • Diagrama lógico e físico

Um bom As-Built é o documento que “salva” a operação anos depois, especialmente quando equipes mudam.

2. Etiquetagem e Identificação: O mapa do tesouro da sua infraestrutura

Pense na etiquetagem como o GPS da rede: ela orienta, traz clareza e evita que técnicos se percam em cabos, caixas e patch panels.

O que deve ser identificado?

2.1 Cabeamento

  • Cabos metálicos (UTP/FTP)
  • Cabos ópticos (drop, CFOA, backbone)
  • Patch cords
  • Chicotes (whips)

2.2 Conexões e Terminações

  • Patch panels
  • DIOs
  • Caixas de emenda
  • CTOs
  • OLTs / ONTs / porta lógica
  • Splitters

2.3 Infraestrutura

  • Eletrocalhas, leitos, conduítes críticos
  • Racks e gabinetes
  • Patch panels numerados por porta
  • Rotas principais e secundárias

Um sistema de identificação eficiente deve ser:

 ✔ Clara
Durável
Resistente ao tempo e calor
Padrão entre todas as equipes
Universal: qualquer técnico deve entender

3. O viés consultivo: Por que seguir a norma TIA-606-B?

A TIA-606-B é a norma mais usada no mundo para identificação de infraestrutura de telecomunicações.
E o papel dela é simples: garantir que qualquer técnico consiga entender seu sistema de identificação mesmo sem nunca ter visto seu projeto antes.

Ela define critérios sobre:

3.1 Identificação de cabos

  • Código alfanumérico padronizado
  • Ex.: “IDF01-PP02-P24 → DIO-01-F12”

3.2 Identificação de salas técnicas

  • MDF, IDF, TRs, salas de telecom

3.3 Identificação de terminais e portas

  • Patch panels
  • Tomadas
  • Portas ópticas e metálicas

3.4 Identificação de caminhos

  • Caminhos principais
  • Caminhos secundários
  • Rotas alternativas

Seguir a TIA-606-B transmite profissionalismo, reduz erros e aumenta o valor percebido do projeto.

4. Como criar um sistema de identificação que qualquer técnico entenda daqui a 5 anos

Essa é a parte consultiva — onde o valor técnico aparece.

Para que seu sistema continue compreensível no futuro:

4.1 Use uma lógica simples

Se for preciso explicar a etiquetagem em 10 minutos, ela está boa.
Se precisar de um manual de 20 páginas, está ruim.

4.2 Use códigos padronizados

Recomendação prática:

[Local] – [Equipamento] – [Porta] – [Destino]

Exemplos:

  • MDF-PP01-P12 → IDF02-DIO-F03
  • CTO25-F08 → Cliente 00231
  • OLT03-P04 → Splitter 1:8 – Porta 03

4.3 Evite abreviações proprietárias

Você entende, mas o técnico daqui 5 anos não vai.

4.4 Tudo deve ser atualizado no As-Built

As-Built sem etiqueta = incompleto
Etiqueta sem As-Built = sem utilidade

4.5 Use etiquetas duráveis

  • Impressas (nunca escritas à mão)
  • Resistentes a UV
  • Resistentes a umidade
  • Preferencialmente brancas com texto preto

4.6 Manter versões

  • v1.0 – instalação inicial
  • v1.1 – mudança de rota
  • v2.0 – expansão
  • v3.0 – substituição de rack

Considerações

Documentação física e etiquetagem não são burocracias.
São investimentos que reduzem problemas, otimizam tempo e transformam a infraestrutura em algo que pode crescer sem dor de cabeça.

Com o As-Built atualizado e um sistema de identificação seguindo a TIA-606-B, você não só entrega um projeto profissional, como deixa um legado técnico para qualquer equipe que vier depois — seja 5, 10 ou 15 anos no futuro.

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