Diagrama futurista do backbone de rede em aeroportos, destacando a infraestrutura digital, data centers, segurança cibernética e o uso de 5G/Wi-Fi 6 e Cloud Computing para operações aeroportuárias. A imagem ilustra as conexões complexas de dados entre o data center central e a pista de pouso com aeronaves, simbolizando a tecnologia que suporta a conectividade aeroportuária e os desafios de escala.

Como funciona o backbone em aeroportos: infraestrutura, desafios e tecnologias

A operação de um aeroporto depende de uma infraestrutura de redes robusta, segura e altamente redundante. O backbone, ou a espinha dorsal de transmissão de dados, é o que conecta todos os sistemas críticos: desde o check-in e o raio-X até sistemas de pátio, SIA, CFTV, SONDA, automação predial, climatização, Wi-Fi público e comunicação entre companhias aéreas e torres de controle.

Neste artigo, você entenderá como o backbone aeroportuário funciona, quais tecnologias são utilizadas, como é estruturado e quais são os principais desafios de implantação e manutenção.

1. O que é o backbone em aeroportos?

O backbone é a camada principal da rede, responsável por interligar todos os edifícios, setores e sistemas operacionais do terminal aeroportuário.
Ele opera como uma rede de alta capacidade, geralmente baseada em fibra óptica, garantindo baixa latência, grande largura de banda e alta confiabilidade.

Em muitos aeroportos, o backbone precisa suportar:

  • Sistemas de segurança e vigilância (CFTV, controle de acesso, biometria)
  • Sistemas operacionais de voo (SIA, FIDS, BRS, AODB)
  • Comunicação entre companhias aéreas, torre e operações
  • Redes de atendimento ao passageiro (check-in, totens, despacho de bagagem)
  • Sensores IoT para automação predial
  • Wi-Fi corporativo e público
  • Sítios remotos (pátio, hangares, áreas administrativas, subestações)

Por isso, ele é projetado com alta redundância, segmentação de tráfego e robustez física.

2. Arquitetura típica do backbone aeroportuário

A maioria dos aeroportos trabalha com uma topologia em anel de fibra óptica como backbone principal, com redundâncias em estrela distribuída para setores sensíveis. A estrutura mais comum inclui:

2.1 Anel principal (Core Ring)

  • Geralmente composto por fibra monomodo (OS2).
  • Switches core de 40/100/400Gbps.
  • Path redundante para evitar falha total em caso de rompimento da fibra.
  • Proteção automática via protocolos como ERPS, MPLS-TP, RSTP ou LACP em design avançado.

2.2 Distribuição (Distribution Layer)

Interliga setores internos:

  • Áreas de embarque e desembarque
  • Pátio e pistas
  • Terminais de cargas
  • Subestações e salas técnicas
  • Hangares e hangares remotos

Normalmente suporta 10/25/40Gbps dependendo do aeroporto.

2.3 Acesso (Access Layer)

Conecta dispositivos e sistemas finais:

  • Câmeras
  • Catracas e leitores biométricos
  • Painéis FIDS
  • Totens de check-in
  • Switches PoE
  • Sensores IoT e CLPs de automação

A largura de banda varia entre 1Gbps e 10Gbps.

3. Tecnologias utilizadas no backbone

3.1 Fibra óptica OS2 monomodo

Utilizada pela distância e imunidade a interferências, ideal para longos corredores, prédios separados e pistas.

3.2 DWDM / CWDM

Solução para grandes aeroportos que permite multiplexar diversos sinais na mesma fibra, economizando infraestrutura e ampliando capacidade.

3.3 VLANs e segmentação

A rede é segmentada por segurança e performance:

  • VLAN de CFTV
  • VLAN de automação (BMS)
  • VLAN de SIA
  • VLAN de Wi-Fi público (isolada do corporativo)
  • VLAN de companhias aéreas
  • VLAN de SCADA das subestações

3.4 Protocolos críticos

  • MPLS para transporte seguro entre prédios
  • QoS para priorização de sistemas de missão crítica
  • ERPS para anéis redundantes
  • BGP/OSPF para rotas dinâmicas

4. Segurança no backbone aeroportuário

A segurança é dividida entre física e lógica:

4.1 Segurança física

  • Salas técnicas com acesso controlado
  • Fibra enterrada ou em eletrodutos blindados
  • Monitoramento de temperatura e umidade no MDF/IDF
  • Racks fechados e climatizados

4.2 Segurança lógica

  • Firewalls avançados
  • Microsegmentação
  • Zero Trust
  • Monitoramento via SOC 24/7
  • IDS/IPS
  • Sistemas de redundância geográfica (sites espelhos)

5. Redundância: o ponto mais crítico do backbone

A aviação não pode parar: isso exige 100% de uptime, ou o mais próximo disso.
Por isso, o backbone é normalmente implantado com:

  • Anéis redundantes interligando todos os blocos
  • Rotas físicas diferentes para evitar rompimento simultâneo
  • Energia com UPS + Geradores
  • Switches core em HA (High Availability)
  • Caminhos óticos duplicados para sistemas como SIA, CFTV e FIDS

Falhas no backbone podem afetar voos: por isso, redundância é prioridade absoluta.

6. Desafios na implantação e manutenção

6.1 Longas distâncias e áreas externas

A fibra precisa ser resistente, com proteção OPGW ou armada em áreas expostas.

6.2 Alto volume de dados

Câmeras 4K, sistemas de bagagem e Wi-Fi geram tráfego intenso.

6.3 Ambientes agressivos

Salas próximas a pistas sofrem vibração, poeira e temperatura elevada.

6.4 Janelas de manutenção restritas

Aeroportos operam 24/7, dificultando intervenções.

6.5 Conformidade com normas

  • ANAC
  • ICAO
  • Normas de telecom (TIA, ABNT)
  • Regras de segurança operacional

7. O futuro do backbone aeroportuário

Com a expansão do IoT, automação e smart airports, os backbones tendem a migrar para:

  • Redes de 100Gbps e 400Gbps no core
  • Tecnologias SDN
  • Monitoramento baseado em IA
  • Wi-Fi 7 para alta densidade
  • DWDM com dezenas de lambdas por fibra
  • Segmentação baseada em identidade de dispositivos

Considerações

O backbone é o coração digital de um aeroporto: ele conecta sistemas críticos, garante a fluidez da operação e sustenta a segurança e a experiência do passageiro. Projetá-lo exige conhecimento em fibras, redundância, protocolos, automação e segurança cibernética, e sua manutenção demanda alta especialização, coordenação e planejamento.

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