Como funciona o backbone em aeroportos: infraestrutura, desafios e tecnologias
A operação de um aeroporto depende de uma infraestrutura de redes robusta, segura e altamente redundante. O backbone, ou a espinha dorsal de transmissão de dados, é o que conecta todos os sistemas críticos: desde o check-in e o raio-X até sistemas de pátio, SIA, CFTV, SONDA, automação predial, climatização, Wi-Fi público e comunicação entre companhias aéreas e torres de controle.
Neste artigo, você entenderá como o backbone aeroportuário funciona, quais tecnologias são utilizadas, como é estruturado e quais são os principais desafios de implantação e manutenção.
1. O que é o backbone em aeroportos?
O backbone é a camada principal da rede, responsável por interligar todos os edifícios, setores e sistemas operacionais do terminal aeroportuário.
Ele opera como uma rede de alta capacidade, geralmente baseada em fibra óptica, garantindo baixa latência, grande largura de banda e alta confiabilidade.
Em muitos aeroportos, o backbone precisa suportar:
- Sistemas de segurança e vigilância (CFTV, controle de acesso, biometria)
- Sistemas operacionais de voo (SIA, FIDS, BRS, AODB)
- Comunicação entre companhias aéreas, torre e operações
- Redes de atendimento ao passageiro (check-in, totens, despacho de bagagem)
- Sensores IoT para automação predial
- Wi-Fi corporativo e público
- Sítios remotos (pátio, hangares, áreas administrativas, subestações)
Por isso, ele é projetado com alta redundância, segmentação de tráfego e robustez física.
2. Arquitetura típica do backbone aeroportuário
A maioria dos aeroportos trabalha com uma topologia em anel de fibra óptica como backbone principal, com redundâncias em estrela distribuída para setores sensíveis. A estrutura mais comum inclui:
2.1 Anel principal (Core Ring)
- Geralmente composto por fibra monomodo (OS2).
- Switches core de 40/100/400Gbps.
- Path redundante para evitar falha total em caso de rompimento da fibra.
- Proteção automática via protocolos como ERPS, MPLS-TP, RSTP ou LACP em design avançado.
2.2 Distribuição (Distribution Layer)
Interliga setores internos:
- Áreas de embarque e desembarque
- Pátio e pistas
- Terminais de cargas
- Subestações e salas técnicas
- Hangares e hangares remotos
Normalmente suporta 10/25/40Gbps dependendo do aeroporto.
2.3 Acesso (Access Layer)
Conecta dispositivos e sistemas finais:
- Câmeras
- Catracas e leitores biométricos
- Painéis FIDS
- Totens de check-in
- Switches PoE
- Sensores IoT e CLPs de automação
A largura de banda varia entre 1Gbps e 10Gbps.
3. Tecnologias utilizadas no backbone
3.1 Fibra óptica OS2 monomodo
Utilizada pela distância e imunidade a interferências, ideal para longos corredores, prédios separados e pistas.
3.2 DWDM / CWDM
Solução para grandes aeroportos que permite multiplexar diversos sinais na mesma fibra, economizando infraestrutura e ampliando capacidade.
3.3 VLANs e segmentação
A rede é segmentada por segurança e performance:
- VLAN de CFTV
- VLAN de automação (BMS)
- VLAN de SIA
- VLAN de Wi-Fi público (isolada do corporativo)
- VLAN de companhias aéreas
- VLAN de SCADA das subestações
3.4 Protocolos críticos
- MPLS para transporte seguro entre prédios
- QoS para priorização de sistemas de missão crítica
- ERPS para anéis redundantes
- BGP/OSPF para rotas dinâmicas
4. Segurança no backbone aeroportuário
A segurança é dividida entre física e lógica:
4.1 Segurança física
- Salas técnicas com acesso controlado
- Fibra enterrada ou em eletrodutos blindados
- Monitoramento de temperatura e umidade no MDF/IDF
- Racks fechados e climatizados
4.2 Segurança lógica
- Firewalls avançados
- Microsegmentação
- Zero Trust
- Monitoramento via SOC 24/7
- IDS/IPS
- Sistemas de redundância geográfica (sites espelhos)
5. Redundância: o ponto mais crítico do backbone
A aviação não pode parar: isso exige 100% de uptime, ou o mais próximo disso.
Por isso, o backbone é normalmente implantado com:
- Anéis redundantes interligando todos os blocos
- Rotas físicas diferentes para evitar rompimento simultâneo
- Energia com UPS + Geradores
- Switches core em HA (High Availability)
- Caminhos óticos duplicados para sistemas como SIA, CFTV e FIDS
Falhas no backbone podem afetar voos: por isso, redundância é prioridade absoluta.
6. Desafios na implantação e manutenção
6.1 Longas distâncias e áreas externas
A fibra precisa ser resistente, com proteção OPGW ou armada em áreas expostas.
6.2 Alto volume de dados
Câmeras 4K, sistemas de bagagem e Wi-Fi geram tráfego intenso.
6.3 Ambientes agressivos
Salas próximas a pistas sofrem vibração, poeira e temperatura elevada.
6.4 Janelas de manutenção restritas
Aeroportos operam 24/7, dificultando intervenções.
6.5 Conformidade com normas
- ANAC
- ICAO
- Normas de telecom (TIA, ABNT)
- Regras de segurança operacional
7. O futuro do backbone aeroportuário
Com a expansão do IoT, automação e smart airports, os backbones tendem a migrar para:
- Redes de 100Gbps e 400Gbps no core
- Tecnologias SDN
- Monitoramento baseado em IA
- Wi-Fi 7 para alta densidade
- DWDM com dezenas de lambdas por fibra
- Segmentação baseada em identidade de dispositivos
Considerações
O backbone é o coração digital de um aeroporto: ele conecta sistemas críticos, garante a fluidez da operação e sustenta a segurança e a experiência do passageiro. Projetá-lo exige conhecimento em fibras, redundância, protocolos, automação e segurança cibernética, e sua manutenção demanda alta especialização, coordenação e planejamento.

